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Hava Netze Bemachol 50 anos

POR MÔNICA HAUSER

Não é uma tarefa fácil escrever sobre o Festival Hava Netze Bemachol. São tantos anos, tantas histórias e tantas pessoas que certamente esqueceremos de alguém (já pedimos desculpas de antemão!). Um evento que marcou a vida de muita gente e transformou a vida de outras tantas. Que juntou casais, reuniu amigos distantes e fez inúmeras amizades surgirem. Pioneiro em mais de uma categoria, o FENDI (como era carinhosamente chamado) está na memória afetiva de muitos e no calendário anual de outros tantos.

Vamos começar do começo? Era 1970 quando um grupo de jovens pediu, para o então presidente Izaac Nuzman, o teatro da Hebraica para a realização de um evento de final de ano dos movimentos juvenis. Ali nascia a sementinha do nosso festival. Em 1972 o evento ganhou uma nova proporção com a parceria com a Hebraica. O evento ganhou nome e mais capacidade de organização. Ao contrário do que todos pensam, Hava Netze Bemachol, que em português quer dizer “vamos sair em danças”, era só um “slogan” do evento sugerido pela então Diretora Rosete Rubin o nome mesmo era Festival Nacional da Dança Israeli. 

Em1974, o evento passou a ser realizado no Salão Nobre, e a hebraica passou a ser uma parceira fundamental para o evento que era realizado junto com os movimentos e a OSURJ 

O festival cresceu e apareceu, muito pelo trabalho do então Diretor de Juventude Mauro Bersuc que desde sua edição inicial apoiava o evento e conseguiu transformá-lo de um evento local (rj e sp) em algo nacional incluindo representantes de novas comunidades , contatando grupos de fora do Rio de Janeiro para participarem. Nesse início o festival teve o apoio fundamental da Chevra Kadisha, que pagava o transporte de todos os grupos de outros estados. Foi quando, no final da década de 70, com o festival tendo virado uma mega produção, foi decidido que os movimentos juvenis e a OSURJ passariam oficialmente o bastão para a Hebraica Rio.

Vale ressaltar que nesta época a organização do evento era participativa com toda a Diretoria do clube que desde de seus vices presidentes até seus diretores ajudavam na organização do evento. Como exemplo temos o Vice Presidente Adolpho Berditchevski que ajudava na administração e na área de marketing e propaganda, o Diretor Rubem Rosenboim z"l que foi o responsável pelas finanças do Festival por 16 anos, o Vice presidente social Samuel Roizman que ajudava no receptivo, Vice presidente financeiro Mauro Wolff que organizava as finanças do festival nos anos de 1990, o Diretor de Juventude Rogério Jonas Zylbersztajn z”l e dentre outros mais que podemos passar aqui uma década escrevendo que não seria suficiente para citar tantos nomes. Na verdade, se você perguntar a alguém desta época quem organizou o Festival, provavelmente várias pessoas responderão: "fui eu". 

Com o crescimento do festival, todas as entidades do Rio de Janeiro começaram a investir em grupos de dança folclórica israelense, transformando o Hava Netze no maior evento da comunidade judaica carioca. Foi em 1984 com o sheliach do Departamento de Juventude  Oscar Jaroslavsky que o festival começou a ganhar um corpo mais profissional separado por setores e com Diretor Artístico e equipe de metaplim. Foi em 1984 que o festival ganha a sua logo, o símbolo daquele que seria o famoso “Festival do Rio”. Ernesto Hakewitsch, um jovem apaixonado por grafismo e membro da diretoria de comunicação do clube,  desenvolveu o tradicional casal azul baseado em um movimento de dança.

A figura do Diretor artístico seria o responsável por toda a parte dos shows, desde grupos convidados até a ordem de apresentação, passando por toda programação e harkadot. Não podemos deixar de citar nomes que já passaram por esta função e deixaram marcas fundamentais: Roberto Cohen, Roger Weiger, Stella Luzes, Mauro Botner, Sandra Libaber e André Schor, além de Guiora Kadmon z”l e Andréa Cohan, shlichim que ajudaram a produzir o evento.

Em 1989 o festival ganha um irmão mais novo, o Atid (Futuro em hebraico), onde as atrações principais eram as lehakot de crianças, o futuro da dança israeli e do judaísmo. Idealizado e organizado pela Maria Helena Wolff, então diretora Geral do Hava Netze Bemachol, ele começou sendo realizado como um evento à parte, em outra data, mas com o passar dos anos ganhou novas proporções e decidiu-se que ele faria parte do mesmo evento, dentro da programação do seu “irmão mais velho”. Desde então os domingos de manhã são dedicados às crianças, onde pais, tios, avós e irmãos ficam babando com os pequenos fazendo coreografias em cima do palco, com figurinos, maquiagem e penteados como gente grande.

E o que dizer das vozes que marcaram as apresentações? Impossível o festival acontecer sem essas pessoas que deixaram sua marca registrada: de 1970 a meados de 1980 André Wandersman (Andrezão) z"l junto com Clarita Paskin, Varda e Cecilia Nussenbaum; De meados de 1980 até final dos anos 1990 os lendários Carlos Szuch z”l e Alberto Leo Jerusalmi z”l e dos anos 2000 até 2016, Sergio Rosenboim. Também não podemos deixar de citar outras vozes que passaram pelo festival: André Mizrahi, André Diamand, Herry Rosenberg e Rosete Rubin.

Em todos os seus anos de existência, até hoje o Festival só deixou de acontecer três vezes: em 1973 por causa da guerra de Yom Kipur, em 1983 por causa do acidente com o ônibus da Chazit e mais recentemente em 2020 devido à pandemia de covid-19. neste último caso, o festival não se deu por vencido, foi criado o primeiro Festival.com, onde tivemos (re)apresentações de danças antigas de várias lehakot de várias partes do mundo, competição de rikudei-am, harkadot virtuais pelo Zoom e uma linda homenagem ao coreógrafo Luiz Filipe Barbosa z”l, falecido no mesmo ano. Em 2021 o Festival foi realizado virtualmente com um evento de Kabalat Shabat e apresentação de grupos presencial, indicando que nem a Pandemia poderia parar essa explosão de cultura judaica e alegria.

 A partir de 2019 o Festival Hava Netze Bemachol é coordenado a partir de Israel com André Schor e Sergio Rosenboim. O que o futuro reserva? Muitos e muitos anos de vida para esse evento histórico da comunidade judaica carioca e brasileira.